quarta-feira, 12 de março de 2008

Cinema: "Caché" de Michael Haneke







Aqui está um bom exemplo de um filme em francês que dá ideia que é muito bom, mas que não dá vontade de o aconselhar a alguém.

Porquê?

Porque a história não é nada demais e tem os todos elementos de um filme "intelectual"...

Parte Positiva:

Os actores são muito bons (Daniel Auteuil e Juliette Binoche). Dão-nos a ideia de que aqueles personagens poderiam ser pessoas reais que falassem e reagissem daquela forma.

As filmagens e respectivos planos conferem bizarria ao filme e, por consequência, dão-nos a sensação de que estamos a ver algo diferente (não estamos, de facto, a ver o filme de perspectivas comuns para cinema).



Legenda: Georges Laurent indignado, mas prestes a afrouchar que nem um covarde.

Parte negativa:

Se o realizador quer transmitir algo exterior ao próprio filme ou pretende dar pistas sobre quem é o videotaper (ou, em última instância, dar a entender algo de sobrenatural... espero que não!) não tem sucesso algum. (aparte: recordo-me das parvoíces de Kubrick ao dar um significado teórico-obscuro ao desenho da alcatifa do hotel de "Shining")

O filme consiste no peso de consciência que o actor principal deveria ter, o que por si só não é assim muito intelectual :) O que pode enganar e levar os mais patetas a acharem que tão a ver um "bom filme intelectual" é a ambiência dramática e a visão algo romântica do realizador. Porque um verdadeiro intelectual (não no sentido comummente usado) nunca teria deixado as coisas chegarem àquele ponto, já teria resolvido os seus erros de infância.

O final do filme merece um estalo. Dá a entender que se deveria perceber porque é que o filme acaba ali... acredito que seja um delírio para os adeptos de filmes franceses.


Dito isto tudo, questiono-me se resultaria colocar todos estes actores europeus, com a capacidade que só poucos americanos têm, ao serviço de uma produção tipicamente americana. Seria engraçado ver Tarantino a usar só actores europeus.

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