terça-feira, 4 de março de 2008

Indignação à séria

Acabei de ouvir na televisão que "o Brasileiro é uma língua muito rica" e o que tenho a dizer sobre isto é: "piças que é rica!".
Ao fim de vários anos a ouvir comentários do género e a ser invadido pela mesma telenovela brasileira com cenários diferentes, tá na hora de ajustar contas.

O brasileiro não é uma língua rica porque rico não é inventar uma palavra e ela ser aceite no momento a seguir, nem desconhecer a origem de uma palavra e dizê-la de forma errada afirmando que é diferença de culturas, ou até mesmo não saber como se descreve determinada situação, juntar 3 sílabas e dizer que foi derivado da influência x (ou xpto, como está em voga dizer-se).

O caso mais flagrante nisto, e que comprova a parvoíce das pessoas que dizem que o brasileiro é fixe, é a total aleatoriedade e aceitação dos nomes das pessoas à nascença. Uma pessoa pode-se chamar de qq coisa e, ainda, essa palavra estar mal escrita. Recordo-me de num artigo, sobre nomes brasileiros, ter lido "Evandaróli Fil" (tentativa de escrever Evander Holyfield, o famoso boxer), Valdisnei (Walt Disney), Edy Marfy (Eddie Murphy), Maycom Géquiçom (nem digo este), Darzã (Tarzan), Abias Corpus da Silva (nem em Latim acertam, bastava ter metido um e), etc.
E enganam-se aqueles que acham que são as classes mais baixas que dão estes nomes ao seus filhos.
Poetas, políticos, pensadores, entre outros utilizam esta javardice sem critério.

Portanto, quem vos garante que se eles não têm o mínimo critério para registos, o terão na sua língua?

O problema é que depois se alega que "ahh! isso é influência do português do século tal, dos índios X, do francês, do alemão, do não sei quantos". Não, Não!

Eu digo-vos que influência é...
É influência da parvoíce. Eles é que são bons vendedores de ilusões e de fraudes e lá conseguem convencer os pacóvios dos intelectuais e estudiosos... "é de facto riquíssima a língua brasileira... é fascinante como eles dizem sapatato em vez de sapato... blá blá blá" <-- foi um gago que escreveu isto, só que trabalhava no notário.
Não é uma língua rica. É parva. Existe a palavra cinzeiro e não se diz cinzeirão ou patitua. Não é influência francesa, nem alemã, nem latina, nem tugalhona. Quanto muito é sol a mais na cabeça e preguiça em ir saber o porquê de se dizer uma determinada palavra de determinada forma.

Posto isto, basta-me pedir que parem com esse fascínio parvo pela cultura brasileira. Não há razão.

Se dissessem "ahhh o Brasil... aquele país de pessoal bem disposto, que tão-se pouco lixado pró que dizem... é curioso haver gente assim..." aí sim, seria uma constatação curiosa e até daria uma perspectiva bem mais realista sobre a língua daquele país. Para além de ser bastante extravagante haver um país que tem mais que fazer do que falar direito.

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