domingo, 2 de março de 2008

Luaka Bop

Nome engraçado, editora foleira.

Esta editora pertencente ao David Byrne (ex-Talking Heads), suscitou-me o interesse há duas semanas atrás por editarem umas compilações temáticas. E, como é meu hábito, inteirei-me logo do catálogo inteiro.
Foi curioso constatar que David Byrne inclui na sua editora todas as bandas que são parentes musicais de Manu Chao. À excepção de algumas compilações e de um ou outro artista, os restantes enquadram-se num Pop mainstream que leva com aquela pitada "tradicional" da sonoridade cliché de World Music (como é o exemplo dos Bloque, King Chango, Geggy Tah, Si Sé, Zap Mama, etc). E então se formos atentar às letras, mais difícil se torna de ouvir uma música até ao fim. Temos o exemplo da "Imigrante Ilegal" dos King Chango que é uma cover em espanhol da "Englishman in New York" de Sting que está ao nível de uns Ciganos D'Ouro, porém com o invólucro de uma editora alternativa. Ou então Tom Zé e a sua música de humor burgesso "Cagar é bom", na qual o artista intenta que o ouvinte ache piada ao facto de usarmos a palavra cagar numa música. Enfim, quase tão ousado e bué de maluco quanto dizer "a minha sogra é um boi".
Fez-me lembrar as coisas pelas quais as pessoas se riam, antes do 25 de Abril, onde imperava a mediocridade do trocadilho "tugalhão" e achar piada a palavras simples que na altura eram, religiosamente, desavergonhadas. Imagino, facilmente, alguém a dizer "pila" e "cócó" uma dúzia de vezes e com isto passar-se uma bela meia-hora.


Não ouçam Tom Zé! Pelo menos, até ele pedir desculpa por desperdiçar marijuana a achar-se um engraçadola por fazer uma letra daquelas.

A verdade é que David Byrne está a contribuir, da pior forma, para esta "globalização musical" à qual chamam de World Music e que, ironicamente, é muito apreciada por protestantes de esquerda e outros pseudo-liberalistas. Aliás, aposto, com quem quiser pagar a uma empresa de sondagens, que... vá.. digamos, 75% (para não cair no erro) das pessoas presentes em manifestações Anti-Globalização ouvem World Music.

MAS.... nem tudo é mau na Luaka Bop (só quase tudo), nem eu faço críticas totalmente negativas (porque é bastante difícil e porque David Byrne não quer impôr nada a ninguém).
Descobri o incrível compositor de músicas para filmes de Bollywood, Vijaya Anand. Que embora o seu valor possa ser muito discutível, a originalidade genuína e psicadélica das suas músicas é de aplaudir. Dou-vos o exemplo da música "Neeve Naana" (que faz parte da banda sonora do "Pulp Fiction dos jogos", o GTA Liberty City Stories) que consiste numa música com sonoridade indiana, mas com sintetizadores e efeitos gerados, decerto, por alienígenas - e que recria, sem ser necessário rebuscar muito (digo eu), um ambiente de Ficção Científica Punjabi, com robôs de bigode, naves-chamuça e decoração de casa de imigrante pelos corredores das mesmas.
A OUVIR.




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